Confrontos


Por Elis de Sisti Bernardes


1. Confrontos

A região do Itaperiú recebeu seus primeiros povoadores por volta de 1810, formados por descendentes dos açorianos. Foi então fundada a comunidade do Itaperiú, as margens do rio Itaperiú e do rio São João. Com a chegada desses povoadores, os índios botocudos, que ocupavam a região fugindo da perseguição em outras regiões do país, passaram a ser denominados de "bugres" e eram vistos como uma ameaça, assim como esses novos povoadores para os índios, o que resultou na ocorrência de desavenças entre brancos e bugres.

Assim como ocorreu em toda a América, os conflitos com os primeiros colonizadores e as doenças trazidas pelos europeus dizimaram a maior parte da população nativa original.



1.1 Confrontos entre colonos e índios em Barra Velha



1.2 O ataque ao engenho de Marcos Filadelpho Mariano


Marcos Filadelpho Mariano nasceu no dia 21 de março de 1852 e era filho de Filadelpho José Mariano e Merenciana Maria Carvalho, naturais de Penha de Itapocoroy e moradores na Freguesia de Barra Velha, no Cerro, no atual bairro da Itajuba. Casou primeiro com Rosa Maria Francisca de Jesus, filha de Felisbino José Luiz, com quem teve filhos. Rosa faleceu, entre 1876 e 1881.

Viúvo, Marcos casou com Bernardina Maria Massaneiro, filha de José Leonardo Maçaneiro e Maria Joaquina da Costa, na igreja católica, antes de 1881.

Marcos e sua família moravam no lote 41, na rua Epitácio Pessoa, em Jaraguá do Sul, quando no dia 23 de março de 1883, houve um ataque dos índios ao seu engenho.

Marcos descansava junto das prendas dos tipitis quando ocorreu o assalto. Para se defender ele usou uma mão de pilão e com ela batia nos atacantes. Ficou gravemente ferido. Com a gritaria de guerra, sua mulher e as filhas Julia e Marina, correram em disparada ao porto, onde estava o filho mais velho, Marcos, lavrando uma canoa. Na corrida, Marina foi atingida por uma flecha mortal, que entrou pelas suas costas, morrendo ali mesmo. A filha Julia também foi gravemente ferida, uma flechada atingiu seu seio direito.

Justo nesse momento, aportava no mesmo porto o filho Antonio. Compreendendo a situação, com espingarda em riste, Antonio se junta ao irmão Marcos, que portava um machado. Sai um índio do interior engenho e salta para a briga no terreiro do engenho. Antonio acertou-o com um tiro certeiro. Os índios então saíram em debandada carregando o índio morto.

Marina foi sepultada no cemitério da Colônia Jaraguá. No dia seguinte, o ferimento de Julia infeccionara e a família foi a procura de um médico em Joinville. Na viagem a pé, pararam em Brüderthal, na atual cidade de Guaramirim, e Julia foi acudida pelo topógrafo agrimensor, Eduardo Krisch, numa intervenção cirúrgica, que embora rudimentar, salvou-a. O pai, Marcos, também curou-se dos ferimentos.

Após esse ataque, antes de 1891, a família mudou-se então para o Ai, no atual bairro de Santa Luzia, onde morava a família do sogro de Marcos, José Leonardo Maçaneiro. 





Referências

- CARTÓRIO CIVIL. Livros de registros.
- EMENDÖRFER FILHO, Victor. A primeira história de Guaramirim. 1ª ed. Jaraguá do Sul. Ed. Correio do Povo, 2001.
- IGREJA CATÓLICA. Livros de registros.