Escolas


Por Elis de Sisti Bernardes


No século XIX a localidade do Itaperiú ainda não possuía escola. Haviam escolas de instrução primária apenas nas proximidades, na Vila de Paraty, na Vila de Barra Velha, no Itapocú, no Itapocuzinho, e no Brüderthal.

Na Vila de Paraty e na Vila de Barra Velha, já havia escola antes de 1870, que contavam com uma turma masculina e uma feminina.

No Itapocú, lecionava o professor José Floriano da Silva até 1890, e a partir de 1890, Maria Walter Faria Machado, já em 1896, a professora Eulalia Justina Garcia, filha de Francisco Justino Garcia e Clarinda Luiza Garcia e a partir de 1899, a professora Maria de Paula Vieira, que mais tarde se casaria com o então viúvo, Onofre Francisco da Rosa, morador no Itapocú, e lá lecionou por muito anos, vindo a ser efetivada no Estado em 1930, como professora da Escola do Itapocú, exercendo o cargo até 1932. Na Vila de Barra Velha, lecionou, a partir de 1893, por muitos anos, o professor Gervasio Thomaz de Aquino. Já no Itapocuzinho, atual cidade de Guaramirim, lecionou a partir de 1892, o professor Gustavo Doubrawa.

Entretanto, para uma localidade sem escola, o Itaperiú tinha um bom número de pessoas alfabetizadas, pois haviam pessoas que mudaram-se para a localidade já alfabetizadas.

Ainda não podemos precisar o ano em que foi instalada a primeira escola no Itaperiú, mas sabemos que Margarida Emilia Rabello foi, possivelmente, a primeira professora. Margarida era casada com Gabriel Coelho da Rocha, e moradora no Itaperiú, para onde havia se mudado com o marido e os filhos, vindos do Estaleiro, em Camboriú, em 1898. Após aprovação em exame, ela foi nomeada, pelo Governador do Estado, professora interina da Escola Mista do Itaperiú, no dia 21 de maio de 1902. Passando a exercer o cargo a partir de 23 de junho do mesmo ano. Mas é provável que antes de assumir o cargo de professora interina, ela já lecionasse na Escola do Itaperiú. O Vice-governador do Estado suprimiu a Escola do Itaperiú a partir de primeiro de janeiro de 1903.

Francisco José Dias de Almeida era o Chefe do Distrito Escolar de Paraty e Pedro Francisco de Borba Coelho, comerciante na Vila de Barra Velha, era o Delegado Escolar de Barra Velha, que compreendia o Itaperiú na sua área de atuação. Na primeira década do século XX, também havia a professora Luiza Francisca da Rosa, esposa de Manoel Vieira Rebello, mas não temos informações se ela chegou a lecionar no Itaperiú, ou apenas no Morro Grande.

Sabe-se que no início do ano de 1914, em todo o município do Paraty haviam apenas cinco escolas estaduais, duas masculinas, uma na Sede e uma nas Pedras Brancas; e três mistas, no Itapocú, no Morro Grande e em Barra Velha.

No início de 1915, foi reaberta uma escola mista estadual no Itaperiú, funcionando em uma casa, com aluguel pago pelo Estado. O Governo Estadual enviou para a escola: 6 classes, 6 bancos, 1 mesa, 1 cadeira e 1 quadro-negro, que custaram para os cofres do Estado o equivalente a 107$000 (cento e sete mil réis). Nos anos de 1916 e 1917 a Escola do Itaperiú contava com uma professora provisória. Em 1916 foi criada a Escola Mista de Massaranduba.

No fim do ano de 1916, Paraty já contava com sete escolas estaduais e três municipais. Em março de 1917 foram criadas as escolas mistas de Santo Antonio e do Ribeirão do Salto. No mês de julho de 1917, o Inspetor Escolar Altino Flores visitou a Escola do Itaperiú.

Em agosto de 1921, o professor provisório Carlos José Noernberg foi transferido para a Escola do Itaperiú, onde permaneceu até 1924.

No dia 12 de abril de 1923, Elvira Faria Passos foi nomeada para a Escola de Estrada da Pinha, na localidade do Ribeirão do Salto. Em 1925 Elvira foi transferida a seu pedido, para a então Escola Desdobrada Getúlio Vargas, no Itaperiú, ficando responsável pelos dois turnos. Nos anos seguintes foram por ela criadas as Associações Escolares existentes no mesmo estabelecimento.

A professora Maria Izabel Falcão trabalhou na Escola Mista do Itaperiú de 1927 a maio de 1929. Em maio de 1927, Maria Izabel foi elogiada pelo Governo do Estado, pela notável dedicação e esforço com que cumpria seus deveres, conforme verificou o Inspetor Escolar Flordoardo Cabral, em visita ao Grupo Escolar.

No ano de 1928, João Rodrigues Soares, morador do Itaperiú, foi agente da contribuição escolar, arrecadando o total de 3$900, que foi entregue ao Tesoureiro da Caixa de Esmolas.

Em 1930, Paraty já contava com 12 escolas estaduais e 3 escolas municipais.

No início de fevereiro de 1931 o Governo do Estado resolveu remover o professor Fabriciano Eleutherio Dutra da Escola Masculina do Ribeirão, em Florianópolis, para a Escola Mista do Itaperiú. Porém, em 30 de julho de 1931, o Governo do Estado exonerou o professor Fabriciano Eleutherio Dutra, por ele não ter assumido o exercício no prazo legal.

Em março de 1932 foi designada a complementarista Maria Gonçalves para exercer o cargo de professora na Escola do Itaperiú, recebendo a remuneração mensal de 168 mil réis.

Em janeiro de 1934 foi designada a complementarista Maria de Lourdes Nóbrega Pereira para exercer o cargo de professora na Escola Mista do Itaperiú, recebendo a remuneração mensal de 180 mil réis.

Em 1934 a Escola do Mista do Morro Grande foi transferida para o Bracinho do Itaperiú, passando a lecionar nela o professor complementarista Valdemar da Silva.

Na década de 30, havia também o professor Manoel Firmo de Borba, o Maneca, filho de Firmo José de Borba e Maria Augusta de Borba, moradores de Santo Antonio, no Itaperiú. Manoel lecionava na Escola Mista de Rio do Morro, quando em maio de 1934 foi removido para a Escola de Araquari. Ele atravessava o Rio Itapocú para lecionar, quando dava aulas no Escalvado, a canoa em que estava com sua mãe e sua irmã Francisca, de 11 anos, virou. Manoel salvou a mãe e voltou para salvar a irmã, mas não conseguiu, os dois morreram afogados. Manoel morreu no dia 10 de abril de 1937, com apenas 21 anos.

Em 1938, já haviam as escolas estaduais: da Capela de Santo Antonio, a do Itaperiú, Medeiros, São João do Itaperiú, Santa Luzia, Bracinho de Itaperiú, e Patronato do Morro dos Monos; e as municipais: do Rio do Peixe, Morro dos Monos, Ribeirão do Salto, Medeiros do Itaperiú, e Rio Novo.

No ano de 1945 a filha de Elvira, Nacir dos Passos, com então 15 anos, tornou-se professora na mesma escola que sua mãe. Em 1948 a Professora Elvira Faria Passos se aposentou. 

No dia 13 de julho de 1967 a Escola é elevada a categoria de Grupo Escolar e no dia 28 de maio do ano de 1968 o governador do Estado, Ivo Silveira, em reconhecimento aos serviços prestados pela professora e, como estímulo aos atuais professores, denomina-o Grupo Escolar Professora Elvira Faria Passos, hoje Escola de Educação Básica Professora Elvira Faria Passos.


- Primeiros professores





Referências

- FERBER, Luiza Pinheiro. "Um mal necessário": as escolas isoladas urbanas no projeto político republicano (Santa Catarina, 1911-1928). UDESC: Florianópolis, 2015.
- JORNAL O DIA. Florianópolis, 1902-1917.
- JORNAL REPÚBLICA. Florianópolis, 1928-1934.