Família Veiga


Por Elis de Sisti Bernardes

Há outro texto atualizado!

Ainda no século XIX, mudaram-se para o Itaperiú as famílias de Gabriel Maria da Veiga e de Chrispimiano Florencio da Veiga.


1. Gabriel Maria da Veiga

Gabriel Maria da Veiga era filho de João Maria da Veiga e Vicência Rosa de Jesus, nasceu em Itajaí no dia 02 de outubro de 1831. Neto paterno de Gabriel Machado da Veiga e de Maria Joaquina e neto materno de José Francisco Caldeira e Lauriana Rosa.

Gabriel Maria da Veiga, um dos pioneiros de São João do Itaperiú. Foto do século XIX.
           
Casou com Maria Thomazia Floriana de Jesus, filha de Thomazia Floriana de Jesus, com quem teve os filhos: Catharina Maria da Veiga, nascida por volta de 1867, João Damasceno da Veiga, nascido no dia 15 de junho de 1869, e Gabriel Maria da Veiga Junior.

Em 1869 foi nomeado 5º suplente do subdelegado de polícia da Villa de Itajaí e em 1872, 2º suplente do subdelegado. Até 20 de março de 1878 foi 2º suplente da delegacia do Termo de Itajaí. Gabriel era guarda nacional do município de Itajaí, sendo nomeado Tenente da 2ª Companhia, no dia 13 de janeiro de 1873.

Em 31 de julho do mesmo ano, ele e o alferes Marcellino José Bernardes ganharam permissão para explorar minas de ouro na freguesia de Camboriú. 

Com a morte de sua esposa, casou-se novamente, com Maria Genoveva da Cunha, ou Maria da Silva Appolinario, no dia 10 de julho de 1880, na Igreja do Santíssimo Sacramento de Itajaí. Foram testemunhas, Francisco Antônio da Cunha e Marcellino José Bernardes. Maria nasceu por volta de 1845, em Camboriú, era filha de José Tomas Francisco da Costa e Genoveva Maria da Silva, e era viúva de Thomas da Silva Appolinario.

Desta segunda união nasceram Guilherme Gabriel da Veiga em 1881, Pedro Maria da Veiga em 1889 e Norminda Maria da Veiga em 1895. 

Gabriel foi eleito vereador do município de Itajaí em 1882, exercendo o cargo de 1883 a 1886. 

No ano de 1884 Gabriel colocou à venda suas propriedades em Itajaí. Um sítio na margem sul do rio Itajaí-mirim, com 449 metros de frente e cerca de 660 de fundo, com muitos arvoredos, um cafezal, pasto de criação para 20 animais, com terras muito produtivas. Mais 88 metros de terras de frente na margem norte do Rio Itajaí-mirim, com 660 de fundos, nas mesmas condições. E uma olaria com 60 metros de frente e 880 de fundos, na margem sul do rio Itajaí-açú, no lugar Pinheiros, com barro em grande quantidade para matéria-prima.

No dia 07 de abril de 1884, Gabriel e o genro, Antonio José da Costa, pediram ao Estado para comprarem 1.830 metros de terras de frente, com 1.830 de fundos, no Itaperiú. No dia 04 de outubro do mesmo ano, tiveram seu requerimento concedido e o Estado impôs o preço de dois réis a braça quadrada, totalizando dois milhões de réis.

Jornal A Regeneração, Desterro, 23 de abril de 1884, Requerimentos despachados em 07 de abril de 1884.
Gabriel então mudou-se com sua família para Itaperiú, estabelecendo-se nas proximidades onde hoje se encontra o km 6 da Rodovia SC-415, onde montou uma serraria e foi agricultor, destacando-se com uma grande plantação de café.

No dia 19 de março de 1885, seus filhos, João Damasceno e Gabriel, pediram à Câmara de Paraty para comprarem 550.000 metros quadrados de terra no Itaperiú ao preço mínimo da lei.

Jornal O Despertador, Requerimentos despachados no dia 19 de março de 1885.
Gabriel Maria da Veiga mudou-se com o filho Gabriel para o estado de São Paulo após 1895 e morreu antes de 1907.


Filhos de Gabriel Maria da Veiga:


1.1 Catharina Maria da Veiga

Catharina Maria da Veiga nasceu por volta de 1867 e casou com Antonio José da Costa, filho de Manoel José da Costa e de Felisbina Rosa de Jesus, natural de Camboriú. Moraram na Freguesia de Barra Velha. 

Tiveram os seguintes filhos: Higina, nascida em 11 de janeiro de 1885, Milão, nascido no dia 30 de outubro de 1887, Cyriaco, nascido no dia 16 de março de 1889, Tartino, nascido em 23 de março de 1890, Abraam, nascido em 16 de março de 1893, Lazaro, nascido em 11 de fevereiro de 1898, Eliseu, nascido dia 14 de junho de 1899, e Bento, nascido em 19 de maio de 1902.

Higina era conhecida como Gina. Faleceu em Itajaí.

Cyriaco Veiga da Costa casou com Adelia Luiza Borges, nascida no dia 30 de janeiro de 1907, no Morro Grande, filha de José Joaquim Borges e de Luiza Brígida Borges, no dia 01 de março de 1924, em Barra Velha. Tiveram os filhos: José Ciriaco da Costa, Luisa Borges, Antonio da Veiga da Costa (*01/1932 +08/05/1933), Felipe Tiago da Costa, Eucelino Veiga da Costa, Maria da Costa, Hilaura Adélia da Costa, Doraci Borges da Costa e Maria Angela da Costa. Cyriaco faleceu no dia 13 de julho de 1980, aos 91 anos de idade. Adelia faleceu no dia 22 de maio de 1998.

Tartino era cego. Não se casou. Possuiu uma venda que se localizava na entrada da Grota Funda. Faleceu em São João do Itaperiú.

Lazaro Antônio da Costa casou com Rita Ignez da Silva no dia 10 de abril de 1926, no Itaperiú. Rita nasceu em Tijucas, no dia 09 de maio de 1894, filha de João Baptista da Silva e de Ignez Maria da Silva, moradores no Itaperiú. Lazaro faleceu aos anos, no dia 15 de maio de 1981, no Itapocú.

Eliseu Veiga da Costa casou com Oracy Rosalina da Rocha, nascida no dia 26 de maio de 1924, filha de Norberto Cipriano da Rocha e de Rosalina Maria de Jesus, no dia 04 de novembro de 1846. Morou no Itinga, e teve dois filhos, Armando, nascido por volta de 1955 e Rosalina, nascida em 1957. Eliseu faleceu no dia 01 de dezembro de 1957.

Bento Veiga da Costa não se casou. Faleceu em São João do Itaperiú.

Antonio José da Costa faleceu antes de 1926, quando viajou com o filho Bento para Camboriú para visitar os parentes. Antonio foi enterrado em Camboriú e a esposa e os outros filhos só ficaram sabendo quando Bento retornou com a notícia



1.2 João Damasceno da Veiga

João Damasceno nasceu no dia 15 de junho de 1869, em Itajaí, onde foi batizado no dia 10 de dezembro do mesmo ano, na Igreja Matriz.

Casou aos 21 anos, com Maria Auta da Rocha, nascida por volta de 1870, em Barra Velha, filha de Lino Antonio da Rocha e de Leonidia Joaquina Pereira, moradores no Itaperiú, no dia 04 de janeiro de 1890, às nove horas da manhã, na Igreja Matriz da Freguesia de Barra Velha, pelo Padre Vicente de Argenzio, e no cartório de Barra Velha, no dia 10 de janeiro de 1890, no Itaperiú.

João se destacou como agricultor e lavrador em Paraty, morando no Ribeirão da Corda, hoje pertencente ao município de Araquari. Com Maria Auta teve os seguintes filhos, Lina, Maria, Athanasio, Arminda, nascida em 1897, outra Arminda, nascida em 1901 e Gabriel João.

Lina, nascida no dia 06 de fevereiro de 1891, no Escalvado, em Barra Velha.

Maria, nascida em 11 de março de 1893, na Freguesia de Barra Velha.

Athanasio Maria da Veiga nasceu no dia 01 de agosto de 1895, na Freguesia de Barra Velha. Casou com 26 anos, no dia 24 de setembro de 1921, na Capela do Itapocú, em cerimônia realizada pelo Padre Theodoro Borgmann, com Aleides Caetana Borges. Foram testemunhas, Francisco José Borges e Laudelino Rosa Leal. Aleides tinha 20 anos, era natural de Itajaí e filha de Ponciano Bernardo Caetano e Amelia Casimira Borges, moradores no Itapocú.

Arminda, nascida em 03 de junho de 1897 e outra Arminda, nascida em 09 de maio de 1901.

- Gabriel João da Veiga, nascido no dia 03 de janeiro de 1899, era chamado de Gabrielzinho. Casou com Luzia Bemvinda, nascida no dia 23/01/1913, que morreu no parto no dia 05/10/1946. Com a morte da primeira mulher se casou com Durcelina Luzia Alves, nascida no dia 11/07/1924, a "Dona Filha", irmã de Nanã Marcolino. Teve os filhos, Luiz (*25/08/1940 +21/12/1945) Jaime, Vicente (Nino), Julia, Olimpia, Benvinda, Margarida e Nina. Morou na Toca e depois mudou para o Centro de São João. Gabriel faleceu no dia 13/06/1987. Durcelina faleceu no dia 06/08/2002. Gabriel, Luzia e Durcelina estão sepultados em São João do Itaperiú.

A primeira esposa faleceu e João casou pela segunda vez com Felesbina Mathildes de Jesus, com ela teve as filhas:

Maria Felisbina da Veiga nasceu no dia 27 de setembro de 1910, no Itapocú. Casou com Catulino Soterio Coelho, no dia 26 de março de 1927, em Barra Velha. Catulino nasceu no dia 01 de março de 1896, filho de Sotero José Coelho e Bernardina Caetana de Farias, morador no Itaperiú.

- Julia da Veiga nasceu no dia 21 de julho de 1917, no Ribeirão da Corda. Casou com José Caviquioli, nascido em Itajahy, aos 06 dias do mês de agosto de 1906, filho de Maximiano Caviquioli e de Anna Maria, moradores em Massaranduba. O casamento ocorreu no dia 17 de outubro de 1936, na casa de seu pai, João Damasceno, no Itaperiú. Morou no Ribeirão do Salto. Tiveram oitos filhos, entre eles José Caviquioli Filho. Ficou viúva de José e faleceu aos 55 anos, no dia 07 de fevereiro de 1973, no Ribeirão do Salto. Foi sepultada no cemitério de Santa Cruz.

Felesbina também faleceu e João se casou pela terceira vez com Emilia Balbina Borges, aos 52 anos, no dia 02 de julho de 1921, na Capela da Corveta, em cerimônia celebrada pelo Padre Lourenço Foxius. Emilia tinha 32 anos, era natural de Itajaí e filha de Candido Felicio Borges e de Barbara Remerlh, moradores de Barra Velha.

João mudou-se para o Itaperiú, onde viveu entre 1918 e 1927 e faleceu.



1.3 Gabriel Maria da Veiga Junior

Morou com o pai no Itaperiú e com ele se mudou para o estado de São Paulo, fixando-se na cidade de Borborema, onde foi um conceituado fazendeiro. Com a morte do pai passou a não usar mais o sufixo "Junior", como era o costume da época.

Em 24 de agosto de 1910 foi nomeado Alferes do 73° regimento de cavalaria da Guarda Nacional.

Participou da supervisão das obras de ampliação da Capela de São Sebastião de Borborema, entre 1918 a 1919.

Gabriel se casou e teve sete filhos, seis filhas, Maria Georgina, Rita, Rosalina, Elvira (Elvirinha), Angelina e Otília, e um filho, Gabriel. Seu filho Gabriel, faleceu ainda criança, após prolongado sofrimento, no dia 02 de abril de 1929. As filhas se casaram e tiveram descendentes. Todas já faleceram e seus descendentes moram no estado de São Paulo.

Nota publicada na coluna Noticias do interior: Borborema, Jornal Correio Paulistano, 12 de abril de 1929, p. 10.

Em 09 de janeiro de 1917 tomou posse do cargo de 1° Juiz de Paz do distrito de Borborema.

Há uma rua na cidade de Borborema que leva seu nome.



1.4 Guilherme Gabriel da Veiga

Guilherme Gabriel da Veiga nasceu no dia 25/06/1881, em Itajaí. Foi batizado no dia 30 de março de 1886, na Matriz de Camboriú. Foram seus padrinhos: Manoel Vicente Cardoso e sua mulher Anna Vicencia de Jesus

Casou aos 26 anos com Elvina Maria Coelho, de 18 anos, filha de Feliciano José Coelho e Maria Rosa Bernardes, moradores no Itaperiú, no dia 05 de outubro de 1907, no cartório e na igreja apenas no dia 09 de maio de 1915, na Capela do Itaperiú. O casal teve os seguintes filhos: Maria Coelho da Veiga (Mariquinha), Guilhermina Maria da Veiga (Guilherma), Argemira Maria da Veiga, Gabriel Maria da Veiga (Belo), João Maria da Veiga (João Atanásio), Pedrozo Gabriel da Veiga (Lico), Claudio Guilherme da Veiga (Tó), Oliveira Gabriel da Veiga (Dido) e o caçula Valdovino da Veiga (Lolo).
          
Família de Guilherme Gabriel da Veiga e Elvina Maria Coelho (Vina), por volta do ano 1924. Ao lado esquerdo do casal estão os filhos: Gabriel Maria da Veiga (Belo), Argemira Maria da Veiga e Pedrozo Gabriel da Veiga (Lico) e ao lado direito, Guilhermina Maria da Veiga (Guilherma), Maria Coelho da Veiga (Mariquinha) e João Maria da Veiga (João Atanásio). A senhora da esquerda é Maria Rosa Bernardes Coelho, mãe de Elvina.








Guilherme Gabriel da Veiga morou com sua família no Itaperiú até o dia de sua morte, no dia 03 de junho de 1945.


1.5 Pedro Maria da Veiga       

Pedro Maria da Veiga, nasceu no ano de 1889, em Itajaí. Casou aos 21 anos, com Martinha Maria de Ávila, de 21 anos, filha de João José de Ávila e de Maria Magdalena da Conceição, também moradores no Itaperiú, no dia 27 de março de 1910, no Itaperiú, na casa da noiva.

A primeira filha do casal nasceu no dia 25 de novembro de 1911, no Itaperiú. Martinha não resistiu por complicações no parto da primeira filha e faleceu com apenas 22 anos, no dia 07 de dezembro de 1911, em sua residência, no Itaperiú. A filha recebeu o mesmo nome da mãe, chamando-se Martinha Maria da Veiga.

- Martinha Maria da Veiga casou com Waldemiro Lopes, filho de Bento Lopes e de Francisca Catarina de Jesus, residentes no Itaperiú, no dia 26 de fevereiro de 1938 na residência de Guilherme Gabriel da Veiga, no Itaperiú. Waldemiro faleceu no dia 15 de outubro de 1972, deixando Martinha viúva e vários filhos.



1.6 Norminda Maria da Veiga     

A caçula Norminda Maria da Veiga nasceu por volta do ano de 1895, em Itajaí.

Casou com Rodolfo de Souza da Luz, no cartório de Itajaí, passando a assinar-se Norminda Maria da Luz. Tiveram os seguintes filhos: Nestor Souza da Luz (*~1913), casou; Juvenal Souza da Luz (*~1915); Guarino Souza da Luz (*~1918); Leonita Souza da Luz (*~1920); Casemiro Souza da Luz (*~1922); Alidoro? Souza da Luz (*~1924); Juvenal? Rodolfo da Luz (*~1926); Resolena Norminda da Luz (*~1927); Maria Norminda da Luz (*~1928); Elisiario Rodolfo da Luz (*~1930); Norminda da Luz (*~1931); e Carolina Norminda da Luz (*~1934).

Norminda faleceu com 56 anos, no dia 12 de setembro de 1951, às dezesseis horas, no Itaperiú, de morte natural. Está sepultada no Cemitério de São João do Itaperiú.






Referências

- BIBLIOTECA NACIONAL. Jornais do Arquivo Digital.
- BRASIL. Decreto n. 5703, de 31 de julho de 1874.
Câmara de Vereadores de Itajaí.
- CARTÓRIO CIVIL. Livros de registros.
- IGREJA CATÓLICA. Livros de registros.
Prefeitura do Município de Borborema.
- TOMIO, Telmo. Genealogia e História.